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IBGE divulga informativo com recortes inéditos sobre as pessoas com deficiência no Brasil

19 de setembro de 2026 · Pesquisa · IBGE · Censo 2022

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IBGE: só 29% das pessoas com deficiência trabalham e o instituto aponta capacitismo na diferença de renda

Informativo divulgado em 18 de setembro, às vésperas do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, reúne recortes inéditos do Censo 2022 sobre trabalho, renda, educação, moradia, pobreza, família e representação política. O IBGE atribui parte da diferença salarial à discriminação.

📅 19 de setembro de 2026· ✍️ Dra. Priscilla Machado· ⏱ 8 min de leitura

Em 18 de setembro de 2026, às vésperas do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, o IBGE divulgou um informativo construído a partir do Censo Demográfico de 2022 e de outras pesquisas, com recortes inéditos sobre trabalho, renda, educação, moradia, pobreza, família e representação política.

O Censo contabiliza 14,4 milhões de pessoas com deficiência de dois anos ou mais — 7,3% da população dessa faixa etária.

14,4 mi

pessoas com deficiência
de 2 anos ou mais

29%

estavam ocupadas
em 2022

−29%

de rendimento médio
do trabalho

Trabalho: menos de um terço está ocupado

Apenas 29% das pessoas com deficiência de 14 anos ou mais estavam ocupadas em 2022, contra 55,8% das pessoas sem deficiência. O Brasil tinha 13,7 milhões de pessoas com deficiência em idade de trabalhar — dessas, cerca de 4 milhões tinham alguma atividade profissional.

O nível de ocupação varia bastante conforme o tipo de deficiência. O menor está entre pessoas com dificuldades associadas a funções mentais (12,9%); o maior, entre pessoas com dificuldade de enxergar (35,9%).

Renda: R$ 837 a menos por mês

O rendimento médio do trabalho foi de R$ 2.053 mensais, 29% inferior ao dos demais trabalhadores (R$ 2.890). A remuneração foi menor em todas as dez atividades econômicas investigadas, com concentração em setores de renda mais baixa.

Somente 2,5% dos 2,3 milhões de cargos gerenciais do país eram ocupados por pessoas com deficiência. E 57,9% das pessoas com deficiência ocupadas contribuíam para a Previdência — dez pontos abaixo dos demais (67,7%).

Trabalho e renda

Comparação entre pessoas com e sem deficiência, Censo 2022.

Nível de ocupação (14 anos ou mais)
29%
55,8%
Contribuição para a Previdência
57,9%
67,7%
Rendimento médio do trabalho (R$)
2053
2890
Pessoas com deficiência Pessoas sem deficiência

O ponto mais importante do informativo: o IBGE afirma que parte da diferença de renda não é explicada por escolaridade, ocupação ou atividade econômica. O instituto atribui essa parcela à discriminação específica contra pessoas com deficiência — ou seja, ao capacitismo.

Educação: analfabetismo doze vezes maior entre jovens

A taxa de analfabetismo entre jovens de 15 a 29 anos com deficiência foi de 12,2%, contra 1% entre os jovens sem deficiência. A discrepância se repete em todas as faixas etárias:

Taxa de analfabetismo por faixa etária

A desigualdade aparece em todas as idades — e é mais acentuada, proporcionalmente, entre os mais jovens.

15 a 29 anos
12,2%
1%
30 a 39 anos
13,5%
2%
40 a 49 anos
15%
4,8%
50 a 59 anos
18%
7,9%
60 anos ou mais
27,9%
14,4%
Pessoas com deficiência Pessoas sem deficiência

O IBGE destaca que o foco nos mais jovens mostra que a desigualdade não se resume a uma questão geracional. Se fosse apenas herança do passado, a diferença diminuiria entre os mais novos — e não é o que os dados mostram.

Moradia: saneamento, internet e calçadas

Na moradia, 56,6% das pessoas com deficiência viviam em domicílios com acesso simultâneo a água, coleta de lixo e esgoto ou fossa séptica, contra 60,2% entre as demais. Tinham máquina de lavar 60,4% (contra 68,9%) e internet domiciliar 78,9% (contra 90,2%).

Dois números falam diretamente sobre acessibilidade urbana: 67,4% residiam em locais com obstáculos nas calçadas e apenas 12,9% contavam com rampas no entorno.

Pobreza: mais alta em todas as faixas etárias

A pobreza atingia 60,9% das crianças e adolescentes com deficiência de 2 a 14 anos, contra 52,5% entre as sem deficiência. A população com deficiência tinha índices de pobreza maiores em todas as faixas etárias — inclusive entre pessoas idosas (20,7% contra 17,5%).

Família: o peso recai sobre as mães

Viver apenas com a mãe ou madrasta era a realidade de 30,1% das crianças e adolescentes com deficiência, contra 21,5% entre as demais. Nos lares abaixo da linha de pobreza, essa proporção sobe para 35,1%.

O dado seguinte mostra o efeito disso na vida das mulheres: o nível de ocupação das mães em domicílios com crianças com deficiência era de 43,1% — 12,1 pontos abaixo do das demais mães. Entre os homens, quase não houve diferença.

Esse é um retrato numérico do que as mães atípicas relatam há anos: o cuidado de uma criança com deficiência sai do mercado de trabalho da mãe, não do pai. A diferença de 12,1 pontos não aparece nos dados masculinos.

Representação política: queda em 2024

Com dados do TSE, o informativo mostra retrocesso na representação política:

Vereadores eleitos com deficiência: de 522 em 2020 para 391 em 2024 — queda de 25,1%

Prefeitos: de 56 para 24 — queda de 57,1%

• Em 2022, foram eleitos apenas três deputados estaduais e dois deputados federais com deficiência

Menos representação política significa menos vozes com deficiência nos espaços onde as políticas para pessoas com deficiência são decididas. É um dado que conversa diretamente com todos os outros deste informativo.

Fonte: IBGE — informativo divulgado em 18 de setembro de 2026, com base no Censo Demográfico 2022 e dados do TSE. Cobertura da Folhapress, reproduzida por O Tempo, Jornal de Brasília, Tribuna Online e outros veículos.

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