A Agência Brasil publicou em 5 de setembro de 2026 um levantamento com dados do Tribunal Superior Eleitoral que mostra um movimento expressivo: os pedidos de registro de candidatura de pessoas que se declaram autistas saltaram de 13, em 2022, para 70 nas eleições gerais de 2026.
5,4x
crescimento das candidaturas
de pessoas autistas
524
candidatos declararam
ter deficiência
−28,8%
queda no total
de candidaturas
O crescimento vai na direção oposta do conjunto
O dado ganha peso quando comparado ao movimento geral. O total de candidaturas no país caiu de 29.262 para 20.829 — uma redução de quase 29%.
2022 × 2026
Enquanto o total de candidaturas encolheu, as de pessoas autistas quintuplicaram.
Onde estão essas candidaturas
Os 70 pedidos de registro se distribuem assim:
• 39 a deputado estadual
• 22 a deputado federal
• 5 à Câmara Legislativa do Distrito Federal
• 3 a vice-governador
• 1 a primeiro suplente
O quadro geral das candidaturas de pessoas com deficiência
No conjunto, 524 candidatos declararam à Justiça Eleitoral ter deficiência:
• Deficiência física: 208
• Deficiência visual: 112
• Deficiência auditiva: 59
• Outros tipos, incluindo o autismo: 145
Os 524 correspondem a 2,5% do total de candidaturas. O Censo 2022 aponta que as pessoas com deficiência são 7,3% da população de dois anos ou mais. A distância entre os dois números dá a medida da sub-representação na disputa eleitoral — antes mesmo de qualquer voto ser contado.
Candidatar-se não é ser eleito
Aqui está a leitura que os números pedem. O crescimento das candidaturas convive com um movimento oposto nos eleitos. Como publicamos a partir do informativo do IBGE, o número de vereadores com deficiência caiu 25,1% entre 2020 e 2024, e o de prefeitos caiu 57,1%. Em 2022, foram eleitos apenas três deputados estaduais e dois deputados federais com deficiência.
Ou seja: mais gente se candidata, mas isso ainda não se converteu em mais gente eleita. Candidatura é entrada na disputa — eleição depende de estrutura partidária, recursos de campanha, tempo de televisão e posição na lista de prioridades do partido.
Duas leituras do fenômeno
A reportagem ouviu a presidenta da Associação Vozes Atípicas, Simone Alli Chair, que atribuiu o aumento à maior visibilidade do segmento — mas fez um alerta: há candidaturas que se aproximam da causa apenas para arregimentar eleitores.
O cientista político João Francisco Meira relacionou o fenômeno à lógica de segmentação nas eleições proporcionais, em que candidatos buscam nichos específicos de eleitorado.
As duas leituras não se excluem. Visibilidade maior atrai tanto representação autêntica quanto oportunismo eleitoral — e cabe ao eleitor distinguir. Um caminho prático: verificar o histórico do candidato com a pauta antes desta eleição, e não apenas o que ele diz durante a campanha.
Fonte: Agência Brasil, 5 de setembro de 2026, com dados do Tribunal Superior Eleitoral. Dados populacionais: IBGE, Censo Demográfico 2022.
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